segunda-feira, abril 10, 2006

Conversa com Fernanda Polacow

Fernanda Polacow é socióloga e formada em Comunicação Social. Residindo actualmente entre Londres, Lisboa e São Paulo, trabalha na coordenação do departamento de Comunicação de uma ONG portuguesa em regime de tele-trabalho. Brasileira, paulista, tem aprofundado o tema da Responsabilidade Social das Empresas e colaborado com a revista Impactus, em Portugal e Ethical Corporation, em Londres.

De passagem por Lisboa, cedeu-me tempo para uma conversa que permitiu clarificar algumas questões. “A Responsabilidade Social é das empresas. Há muita confusão nos conceitos. É um movimento voluntário das empresas que abarca uma realidade muito ampla e da qual só uma pequena porção diz respeito às ONG.” Portugal tem estado ausente deste movimento até há poucos anos. De repente, quando ele surge, todos querem ser socialmente responsáveis, sem parar para debater o conceito (“think the concept through”) e perceber o seu significado. Todos o usam como lhes convém.... o que dá azo a más interpretações e, pior, más execuções do conceito. Saltam-se etapas e isso pode prejudicar mais do que beneficiar os actores.

Em relação às ONG, “elas podem e devem ter estratégias de captação de recursos, mas não têm Responsabilidade Social porque esta é das empresas. Podem ter estratégias de captação de fundos através da Responsabilidade Social das Empresas, mas isso é diferente. Hoje em dia, é fundamental que as ONG se eduquem sobre o que é responsabilidade social e o que isso muda na realidade das empresas. Uma melhor compreensão do universo empresarial é importante para aproximar o diálogo entre empresas e ONG e facilitar a união de esforços entre estes dois actores” diz, avançando que já o tem feito com o argumento de que a RSE tem a grande mais valia de agir para a melhoria da sociedade e do mundo.“É uma coisa boa.”

4º Congresso GIFE sobre Investimento Social Privado

Para traduzir o que significa na prática o conceito de sociedade sustentável e avançar na busca de soluções para a sua construção, o 4º Congresso GIFE sobre Investimento Social Privado propõe uma programação que equilibra conceitos e práticas envolvendo o primeiro, segundo e terceiro setores .
Segundo Fernando Rossetti, secretário geral do GIFE, o tema do Congresso abrange todas as questões-chave que não apenas o Brasil, mas o mundo todo enfrenta hoje. “A principal questão é que a sociedade como está é insustentável, pela escassez de recursos naturais, pela concentração de renda e as conseqüentes desigualdades causadas por ela”, explica.
Esse panorama não poderá ser modificado, na visão de Rossetti, sem algum nível de alinhamento entre o primeiro, segundo e terceiro setor. Isto é, sem a promoção de alianças estratégicas intersectoriais, em que governos, iniciativa privada e sociedade civil organizada trabalhem em conjunto para amenizar os problemas sociais, ambientais e económicos.
Por outro lado, também é importante que a união dos três sectores esteja focada em ações multisectoriais . “Não se trata mais apenas de uma questão de desenvolvimento económico, meio ambiente ou educação. Todas essas questões devem ser consideradas. E essa é a complexidade que envolve a construção de uma sociedade sustentável”, explica Rossetti.
Paralelamente ao Congresso, o GIFE disponibilizará Oficinas de Gestão compactas, que oferecem instrumentos e ferramentas gerenciais em atividades do terceiro sector. Com inscrição à parte e conteúdo mais básico, as oficinas compreenderão os temas: Comunicação para Organizações da Sociedade Civil , Cenário Social e Legislação Para o Terceiro Sector e Sustentabilidade e Captação de Recursos .
“Este será um evento único: o Congresso GIFE tratando de assuntos da mais alta relevância na agenda social, e com abordagens e participantes dos mais importantes no país e no mundo; e a Mostra do CAV, demonstrando a força da mobilização da sociedade civil em todas as esferas da filantropia e do protagonismo social, o que ilustra e testemunha o valor deste debate” afirma Luiz Fernando Garcia, da Pulsar, consultoria que está promovendo a coordenação executiva do evento.
De 1 de março a 30 de abril, o desconto é de 15%. Nesse período, associados GIFE investirão R$ 495,00, profissionais de organizações sem fins lucrativos, R$ 605,00, e demais interessados - R$ 880,00.

Sustentabilidade e Captação de Recursos
A aula abordará definição de metas e necessidades de arrecadação; os diversos potenciais doadores entre empresas e indivíduos; as estratégias para abordar e negociar; como fidelizar os doadores; e quais os recursos necessários para montar uma acção de captação.
Instrutora: Cristina Murachco - presidente da Associação Brasileira de Captadores de Recursos (ABCR) e consultora de organizações sem fins lucrativos nas áreas de planeamento e desenvolvimento institucional. Também foi diretora do Centro de Competência para Empreendedores Sociais Ashoka-McKinsey, assessora de relações empresariais do Instituto Ethos e assessora de desenvolvimento institucional da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

Comunicação para Organizações da Sociedade Civil
Pela essencialidade da comunicação no mundo contemporâneo, comunicar bem é vital para qualquer tipo de instituição - pública, privada ou do terceiro sector. Nas organizações do terceiro sector a comunicação ganha ainda maior importância porque a captação de recursos financeiros e humanos - fundamental para sua sustentabilidade financeira ou institucional - é favorecida pela visibilidade e credibilidade de suas acções, o que também está relacionado à sua capacidade de se comunicar bem. Nesta aula serão apresentadas estratégias de comunicação na área social.

Instrutora: Anna Penido - formada em jornalismo pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com especialização em Direitos Humanos (Columbia University, EUA), Gestão Social e Comunicação para o Mercado, Anna é fundadora e diretora da ONG Cipó - Comunicação Interativa, fellow da Ashoka Empreendedores Sociais e líder Avina.

Cenário Social e Legislação Para o Terceiro Sector
O objetivo desta aula é ampliar a visão sobre o processo de desenvolvimento histórico do Brasil e o envolvimento e a participação da sociedade civil neste processo e, principalmente, disponibilizar as principais bases legais que regulamentam as organizações do terceiro sector.
Instrutor: Eduardo Szazi - advogado, consultor jurídico do GIFE e autor do livro Terceiro Setor - Regulação no Brasil (GIFE e Editora Peirópolis). Foi integrante do Grupo de Trabalho de Reforma do Marco Legal do Terceiro Setor na gestão de Fernando Henrique Cardoso.

A inscrição para participação no Congresso não dá direito a participação nas oficinas de gestão.
Participação em 1 (uma) das oficinas: R$ 60,00Participação em 2 (duas) oficinas: R$ 110,00Participação em 3 (três) oficinas: R$ 150,00

Petrobras é o novo parceiro do AfroReggae

Foto: Makala Música e Dança, em foto feita para a exposição AfroReggae 13 anos. Por João de Orleans e Bragança.

A Petrobras e o Grupo Cultural AfroReggae assinaram contrato de parceria pelo qual a empresa se compromete a patrocinar, durante um ano, todos os subgrupos sediados em Vigário Geral.
O trabalho a ser desenvolvido engloba a formação de aprendizes e criação de grupos artísticos, chamados de subgrupos. A proposta de patrocínio refere-se justamente ao apoio a esses subgrupos sediados em Vigário Geral, que são:
1 - Makala Música & Dança - Formado por jovens de Vigário Geral, traz elementos das raízes africanas, representadas no som dos tambores e nas coreografias.
2 - Banda Afro Lata - Este subgrupo vem da área mais desprovida de Vigário Geral, conhecida como Brasília. Por causa da falta de instrumentos convencionais de percussão, começaram a tocar com pedaços de cabo de vassoura, latões de óleo, tonéis e baldes de plástico, transformando o lixo em instrumentos musicais que expressam o funk, música afro e axé.
3 - Afro Mangue - Oriunda da mesma região do Afro Lata, esta banda também toca com instrumentos não convencionais, como latas e galões, com a diferença que seus integrantes tem a faixa etária menor.
4 - Tribo Negra – A banda surgiu nas oficinas de percussão e traz uma mistura forte baseada no funk, no samba reggae e outros ritmos.
5 - Kitôto - É uma banda de reggae formada por jovens da comunidade com repertório de músicos como Gilberto Gil, Cidade Negra e ainda conta com composições próprias.
6 - Afro Samba - O grupo se dedica a tocar o melhor do samba, tanto o mais ligado às antigas rodas quanto ao mais atual, além de composições próprias.
7 - Párvati- Composta por meninas adolescentes de Vigário Geral. A banda ainda está em fase de formação, tanto em relação aos componentes como no que se refere à capacidade musical, cuja tendência mais forte é o rock´n roll.
8 - Trupe de Teatro AfroReggae - Esse subgrupo surgiu para tratar questões sobre saúde de forma lúdica, simples e objetiva. Formado por adolescentes de Vigário Geral, a Trupe reciclou-se inteiramente e hoje é uma autêntica manifestação cênica dentro da comunidade.
Texto: Chico JúniorTratamento da Foto e Atualização do Site: Bruno Morais