domingo, maio 27, 2007

Fundos para voluntariado, voluntariado para cooperação

O ISU- Instituto de Solidariedade e Cooperação Universitária desenvolve desde há cerca de dez anos um programa de voluntariado em África que envia jovens universitários durante dois meses para apoiar projectos dos seus parceiros locais, em países como Guiné e Cabo Verde, entre outros.


O âmbito dos projectos passa por áreas como a formação de professores em áreas específicas, empowerment de mulheres, apoio ao micro-crédito, intervenção com crianças, sensibilização para questões de saúde, entre outras. No saldo final, ganham tanto as populações abrangidas pelos projectos como os próprios voluntários, que trazem na bagagem imagens e experiências que nunca mais vão esquecer.

Esta iniciativa conta com uma angariação de fundos bastante intensa, que decorre essencialmente nos meses de Abril a Julho e que tem como objectivo conseguir cerca de 30.000€ para financiar a viagem e estadia dos voluntários. Para tal, recorre-se à divulgação do projecto, organização de eventos, bancas de vendas com o apoio dos próprios voluntários.

Aqui fica uma iniciativa interessante na forma empenhada de exercer educação para o desenvolvimento. http://nodjuntamon.blogspot.com

quinta-feira, março 01, 2007

O Terceiro Sector e a Responsabilidade Social - Workshop

O Grupo Terceiro Sector para a Responsabilidade Social (Factor III) e a APEE irão realizar um Workshop dedicado ao Terceiro Sector, no dia 19 de Março no CCB, às 10h30, no âmbito da Semana da Responsabilidade Social.

O Terceiro Sector enquanto Actor de Responsabilidade Social - Implicações Práticas

10h30 – 10h40
Apresentação do Grupo Terceiro Sector para a Responsabilidade Social
10h40 – 10h55
Ética nas Organizações – Referencial de Ética para as IPSS
Dr. António Martins - Elo Social
10h55 – 11h10
A Sustentabilidade Económica no Terceiro Sector -
APSI - Associação para a Promoção da Segurança Infantil
11h10 – 11h25
A Sustentabilidade Social no Terceiro Sector-
Fundação Aga Khan
11h25 – 11h40
A Sustentabilidade Ambiental no Terceiro Sector-
Quercus
11h40 – 13h00
Atelier “Na senda da Responsabilidade Social”

Inscrições até 12 de Março/25€

Na ficha de inscrição o participante é convidado a lançar dúvidas/ questões sobre a RS e o Terceiro Sector a serem respondidas nesta sessão.

Durante os restantes dias irão ainda decorrer workshops dedicados a outras partes interessadas (stakeholders) como a indústria, o governo, os sindicatos, serviços e investigação e consumidores, para além de sessões paralelas. Livre trânsito 250€.

http://www.apee.pt/page.php?ID=1097

Inscrições Vera Pinto Maria João Rodrigues
E-mail verapinto@apee.pt
Tel. +351 213 146 182
Fax +351 213 147 201

terça-feira, fevereiro 20, 2007

CHAPITÔ - 25 anos a fazer rir jovens desfavorecidos

Todos conhecemos o caso do Chapitô e da sua figura de proa, Teresa Ricou. De tão familiar, esta iniciativa da sociedade civil acaba esquecida das lides do terceiro sector, talvez injustamente ou talvez porque já conquistou uma posição de destaque e um reconhecimento institucional que lhe permitem caminhar por si. De qualquer forma, é um exemplo a ter presente.

Um dos aspectos mais significativos no Chapitô, do meu ponto de vista, é o facto de inserir jovens desfavorecidos através de uma formação atípica, em artes circenses e não das tradicionais saídas profissionais de carpinteiro de limpos, pedreiro ou jardineiro que, tão dignas como todas as outras, têm no entanto o inconveniente de serem pouco aliciantes para os jovens. A intervenção social desenhada numa área periférica, de risco, tal como as vidas a quem se destina, tem uma forte probabilidade de adesão por parte dos seus públicos-alvo, assim como a potencialidade de estes futuros profissionais conseguirem vingar.

Essa projecção para o mercado de trabalho, alimenta outra particularidade do projecto, a sua estruturação. O envolvimento das três vertentes: acção social, formação e cultura, num círculo virtuoso contribuem para a continuidade e sustentabilidade do projecto. "O departamento [de Produção] insere-se no modelo de Economia Social praticado pelo Chapitô cruzando as áreas de Formação, Cultura e Acção Social: as receitas geradas revertem directamente para o financiamento de acções realizadas na Área Social e funciona como plataforma para os jovens diplomados pela Escola Profissional de Artes e Ofícios do Espectáculo, assegurando a sua inserção no mercado de trabalho." Outra entrada de receitas são o restaurante e bar. "Com uma vista deslumbrante sobre o Tejo e a cidade de Lisboa, Restô, é a oportunidade de viajar, levado pelos aromas e os sabores de uma cozinha multi-étnica. Como pólo cultural da cidade de Lisboa, o Bar do Chapitô é um espaço aberto às artes, com uma programação variada ao longo da semana: desde música ao vivo, com destaque para o jazz, ciclos de cinema, projecções de vídeo, espectáculos de teatro e dança, a conferências e debates sobre temas da actualidade. O Bartô, é também um espaço privilegiado para tertúlias, lançamentos de livros e projectos editoriais, exposições e instalações."

Estando a formação ao abrigo do Ministério da Educação, enquanto Escola Profissional desde 1991, a maior lacuna ao nível dos financiamentos verifica-se nos muitos jovens institucionalizados em Centros Educativos, que se confrontam com grandes dificuldades quando, aos 17/18 anos, atingem a idade que os coloca legalmente fora do âmbito destas instituições. Nestas circunstâncias, não são poucos os que batem à porta do Chapitô. Para esta vertente da acção social o Chapitô foi um dos beneficiários do leilão resultante da Cow Parade, em 2006. Conseguiu-se recuperar e remodelar instalações que hoje servem de residência temporária a 10 destes jovens em transição. "Promover a autonomia do jovem, estimulá-lo para a construção do seu projecto de vida e ajudá-lo concretamente na superação dos obstáculos com que se depara, são os objectivos deste projecto."

Esta necessidade foi consequência da intervenção realizada pela Animação em Acção: um grupo de animadores/formadores e técnicos que assegura, nos Centros Educativos da Bela Vista e Navarro de Paiva ateliers de circo, capoeira, “faz-tudo”, jogos, etc. bem como a animação de festas e espectáculos e ainda a realização de saídas – culturais e recreativas incluindo a redacção de um jornal, num protocolo que se desenvolve desde 1987 com o Ministério da Justiça.

Também as crianças são um dos destinatários. O Centro de acolhimento infantil garante a guarda de menores até aos 12 anos durante o dia, serviço que é complementado com os ateliers infantis de circo e capoeira que decorrem ao fim da tarde para os maiores de seis. Os adultos têm a partir das 19 horas cursos variados como capoeira, malabarismo, sapateado, caracterização, expressão dramática e técnicas circenses.

As parcerias estratégicas são uma constante. 60% do orçamento anual da organização provém de financiamentos públicos, 35% de receitas próprias e 5% de mecenato e donativos. Ao Expresso, de 4 de Novembro 2006, Teresa Ricou dizia: «As instituições estão ancoradas em nós. Como prestamos serviço público, a Justiça, a Educação, a Cultura, a Segurança Social, o Instituto da Juventude e o Instituto de Emprego e Formação Profissional têm de estar aqui.» No entanto, em relação ao Chapitô Rio, o projecto cuja inauguração se prevê para o fim do ano, não adianta informações. 200 milhões de euros para um espaço adaptado a outras artes, de âmbito musical, como o rock, sustentado na mesma fórmula tripla (acção social, formação, cultura) podem justificar a presença da Super Bock no rol dos apoios presentes no site da organização (aliás, a única empresa a figurar, apesar de outras como a PT e a Vodafone fazerem alusão a parcerias com o Chapitô nos seus sites). http://www.chapito.org/

quarta-feira, janeiro 31, 2007

Al Gore em Portugal

O autor da publicação, An Inconvenient Truth virá a Portugal no próximo dia 8 de Fevereiro, a convite da Cunha Vaz e Associados e com o apoio da CGD, EDP, CML e Lexus falar sobre alterações climáticas. A conferência decorrerá no Museu da Electricidade mas ao que parece deverá ter acesso (muito) restrito já que não se comunica esse aspecto do evento nos sites dos envolvidos, nem junto dos media.

Al Gore, cujo cachet se eleva aos 175.000€, exigiu ser transportado num carro híbrido e poderá ainda ser ouvido e interpelado no nosso país um mês depois, a 7 de Março no 3º Forum Comércio Moderno, no Centro de Congressos do Estoril onde decorrem 2 dias de Debate sobre Ambiente Consumo e Marcas, promovido pela APED (Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição). Apressem-se os interessados porque as inscrições para os dois dias (7 e 8) ficam por 900€ para não sócios até ao Dia dos Namorados, passando depois a 1200€.

II Prémio Cidadania (ainda) recebe inscrições

Estão abertas até ao dia 16 de Fevereiro de 2007 inscrições para o Prémio Cidadania das Empresas e das Organizações, uma iniciativa da Price e AESE com a parceria da EXAME.
A primeira edição premiou em Maio de 2006 o Banco Alimentar Contra a Fome como melhor ONG e a EDP como melhor empresa/ melhor ambiente. O BCP recebeu o galardão de desempenho social e a PT o prémio de vertente económica.
"Entenda-se por cidadania empresarial e organizacional, o exercício de um vasto conjunto de direitos e deveres que visam possibilitar aos vários stakeholders o seu pleno desenvolvimento através do alcance de uma igual dignidade social e económica, respeitando o ambiente. O prémio pretende reconhecer as empresas e ONGs mais bem sucedidas na aplicação das suas políticas de responsabilidade social, nas componentes: económica, social e ambiental, simultaneamente. Premiar as ONG’s, mais do que reconhecer o seu empenho na aplicação de medidas efectivas, pretende ajudar na melhoria de implementação das mesmas. A atribuição do prémio é feita através da avaliação de um questionário, desenvolvido com o apoio metodológico da SAM , a preencher pelas empresas e pelas ONG's." in http://www.premiocidadania.com/?q=C/-/9

sexta-feira, janeiro 26, 2007

RSE ou RSO?

Sobre a discussão existencial à volta do conceito, capaz de dividir as hordas transversalmente desde o popular até ao académico, discussão que debate se se deve falar de Responsabilidade Social das Empresas ou de Responsabilidade Social das Organizações, venho deixar o meu modesto contributo.
Oh meus amigos: não soa sempre estranho dizer «subir para cima», «tenho um amigo meu» ou «ambos os dois»? Da mesma maneira, porque não falar da Responsabilidade Económica das Empresas? Porque é uma redundância? Um pleonasmo? Uma expressão vazia?

Será por isso que se fala da Responsabilidade Social das Empresas? Por ser uma dimensão menos implícita dentro do sector e mais negligenciada do que outras, como a económica? Por ser uma dimensão a destacar e a incrementar?
Se assim for, que sentido faz falar na Responsabilidade Social das Organizações? De que Organizações? Normalmente nesta expressão englobam-se os três sectores (Estado, Mercado e Terceiro Sector), mas muitas vezes o termo «Organizações» é usado como sinónimo de «entidades/organizações sem fins lucrativos» e de carácter solidário.
Pensando que a expressão «Responsabilidade Social das Empresas» (que implica o triple bottom line, ou seja o equilíbrio das dimensões económica, ambiental e social) é alargada para abarcar não só as empresas, mas os três sectores da sociedade acima mencionados, ficamos com uma expressão que de tão abrangente, acaba por não dizer nada (ou como dizia alguém, «e tudo, e tudo e tudo»- muito expressivo)!
Ou seja, será que o que está implícito na expressão RSO é que todos temos de fazer tudo por um mundo melhor? Para além de vago e megalómano, parece-me pouco operacional. Mais, soa-me a algo dogmático e doutrinizador. De tão etéro, o conceito acabará por remeter para a legislação e perverter o âmbito voluntário do movimento da Responsabilidade Social das Empresas.
Por outro lado, compreendo na expressão RSO a crítica ímplicita à conduta do Estado e do Sector Solidário nos aspectos financeiro e de gestão de recursos humanos. Mas se são esses aspectos que se pretendem designar, ou se procura na riqueza da língua portuguesa outra expressão que, por exemplo, passe pelo adjectivo «sustentável», muito mais amplo, integrador e menos antropocêntrico do que o «social» (que semânticamente não abarca a dimensão ambiental) ou se distinguem as definições das duas expressões, que apesar de idênticas, não têem explicações «clonáveis».