domingo, setembro 10, 2017

A MECA DO VINHO JUDAICO - VINHO KOSHER EM ALENQUER


Como alenquerense, desde há algum tempo que ouço falar sobre a produção de vinho kosher no concelho, mas foi numa viagem pelo sul de Itália que descobri como surgiu este negócio que distingue Alenquer.

Um dos meus acompanhantes de viagem recorrentemente mencionava um período da sua vida em que viajava de carro em Portugal acompanhado de rabinos, a fazer certificação de comida kosher. 

Para quem não sabe, kosher é toda a comida produzida com os requisitos da comunidade judaica, que passa por várias exigências como não poder ser, em nenhuma fase, manuseada por pessoas não judaicas.

Este meu amigo tinha uma empresa de qualidade que certificava tudo o que se produzia em Portugal segundo estes critérios, de modo a que os judeus soubessem o que podiam comer no nosso país. 

Detectando a inexistência de produtores de vinho kosher no país, desafiou algumas quintas em Alenquer para o efeito, desafio que acabou por ser aceite por volta de 2004, pela sociedade agrícola Félix Rocha, na Quinta da Ribeira, em Meca.

A aposta neste factor distintivo valeu a estes produtores, logo após um ano, encomendas de mais 45 mil garrafas de vinho, entre tinto, branco e rosé.

Ultimamente o município encontra-se a colaborar activamente com este produto, com a deslocação do presidente da Câmara – também na direcção da Rede de Judiarias-, à feira de Turismo de Israel em 2016, para promover o vinho kosher do concelho. 

Para além de apoiar directamente a economia local, sendo Portugal um pais de interesse turístico para a comunidade judaica, o concelho é divulgado como destino deste nicho de turismo enólogo junto da embaixada israelita.



domingo, junho 14, 2015

Tese de Licenciatura e Prémio Silva Leal 2001





ESCALADA PARA A INCLUSÃO: Olhar sociológico sobre a intervenção de um actor local no combate à exclusão social juvenil
Susana Rosa
ISCTE

O sistema de protecção social em Portugal tem vindo a ser confrontado com uma conjuntura desfavorável, de alterações sociais e económicas que questionam a sua capacidade de resposta. Tem-se verificado um aumento da população excluída, económica e socialmente, dependente da solidariedade. A protecção social é pressionada por uma lógica de desenvolvimento económico assente na assimetria e desfavorecimento de regiões, geradora de desigualdades, por um lado e, por outro, pela tendência de evolução da população, que faz depender um cada vez maior número de beneficiários de um proporcionalmente muito menor contingente de activos, com carreiras contributivas cada vez mais curtas, suportadas por um emprego tendencialmente precário.
A previsível limitação da continuidade deste esforço e a inevitabilidade da existência de amplos sectores de população deficientemente cobertos pela protecção social, tem levado à discussão da remodelação do sistema em vigor, assim como do papel do estado, no novo desenho a definir.
Este estudo teve por base a observação participante realizada numa IPSS, representativa do papel da iniciativa local no desagravamento das assimetrias dentro de um contexto particularmente problemático, incidindo a sua principal actividade na inserção de jovens excluídos. E porque a exclusão se combate reinvertendo as estruturas que a proporcionam, é através do desenvolvimento local e da iniciativa dos cidadãos, quer no desenvolvimento económico, quer na reinvenção da protecção social, numa lógica de contra-hegemonização e sob supervisão do poder central, que se poderá alcançar um estado-providência mais actuante e uma sociedade mais inclusiva.

Resumo: Tendo como referência uma IPSS em Setúbal, desenvolve-se uma reflexão sobre a protecção social em Portugal e a importância dos actores locais na reconversão da exclusão social. O papel do Estado, que idealmente seria um Estado-Providência, na impossibilidade de sustentar as competências inerentes, transformou-se num papel de parceiro financiador das organizações da sociedade civil para as quais transferiu as suas responsabilidades em matéria de protecção social. No entanto, a sua participação
que deveria complementar as receitas dessas instituições, acaba por, na maioria, ser a única fonte de financiamento. Com dificuldades em angariar outros financiamentos, esta sociedade-providência exerce a sua actividade com variadas lacunas, o que se reflecte na precariedade da protecção social em Portugal.

 

domingo, maio 27, 2007

Fundos para voluntariado, voluntariado para cooperação

O ISU- Instituto de Solidariedade e Cooperação Universitária desenvolve desde há cerca de dez anos um programa de voluntariado em África que envia jovens universitários durante dois meses para apoiar projectos dos seus parceiros locais, em países como Guiné e Cabo Verde, entre outros.


O âmbito dos projectos passa por áreas como a formação de professores em áreas específicas, empowerment de mulheres, apoio ao micro-crédito, intervenção com crianças, sensibilização para questões de saúde, entre outras. No saldo final, ganham tanto as populações abrangidas pelos projectos como os próprios voluntários, que trazem na bagagem imagens e experiências que nunca mais vão esquecer.

Esta iniciativa conta com uma angariação de fundos bastante intensa, que decorre essencialmente nos meses de Abril a Julho e que tem como objectivo conseguir cerca de 30.000€ para financiar a viagem e estadia dos voluntários. Para tal, recorre-se à divulgação do projecto, organização de eventos, bancas de vendas com o apoio dos próprios voluntários.

Aqui fica uma iniciativa interessante na forma empenhada de exercer educação para o desenvolvimento. http://nodjuntamon.blogspot.com

quinta-feira, março 01, 2007

O Terceiro Sector e a Responsabilidade Social - Workshop

O Grupo Terceiro Sector para a Responsabilidade Social (Factor III) e a APEE irão realizar um Workshop dedicado ao Terceiro Sector, no dia 19 de Março no CCB, às 10h30, no âmbito da Semana da Responsabilidade Social.

O Terceiro Sector enquanto Actor de Responsabilidade Social - Implicações Práticas

10h30 – 10h40
Apresentação do Grupo Terceiro Sector para a Responsabilidade Social
10h40 – 10h55
Ética nas Organizações – Referencial de Ética para as IPSS
Dr. António Martins - Elo Social
10h55 – 11h10
A Sustentabilidade Económica no Terceiro Sector -
APSI - Associação para a Promoção da Segurança Infantil
11h10 – 11h25
A Sustentabilidade Social no Terceiro Sector-
Fundação Aga Khan
11h25 – 11h40
A Sustentabilidade Ambiental no Terceiro Sector-
Quercus
11h40 – 13h00
Atelier “Na senda da Responsabilidade Social”

Inscrições até 12 de Março/25€

Na ficha de inscrição o participante é convidado a lançar dúvidas/ questões sobre a RS e o Terceiro Sector a serem respondidas nesta sessão.

Durante os restantes dias irão ainda decorrer workshops dedicados a outras partes interessadas (stakeholders) como a indústria, o governo, os sindicatos, serviços e investigação e consumidores, para além de sessões paralelas. Livre trânsito 250€.

http://www.apee.pt/page.php?ID=1097

Inscrições Vera Pinto Maria João Rodrigues
E-mail verapinto@apee.pt
Tel. +351 213 146 182
Fax +351 213 147 201

terça-feira, fevereiro 20, 2007

CHAPITÔ - 25 anos a fazer rir jovens desfavorecidos

Todos conhecemos o caso do Chapitô e da sua figura de proa, Teresa Ricou. De tão familiar, esta iniciativa da sociedade civil acaba esquecida das lides do terceiro sector, talvez injustamente ou talvez porque já conquistou uma posição de destaque e um reconhecimento institucional que lhe permitem caminhar por si. De qualquer forma, é um exemplo a ter presente.

Um dos aspectos mais significativos no Chapitô, do meu ponto de vista, é o facto de inserir jovens desfavorecidos através de uma formação atípica, em artes circenses e não das tradicionais saídas profissionais de carpinteiro de limpos, pedreiro ou jardineiro que, tão dignas como todas as outras, têm no entanto o inconveniente de serem pouco aliciantes para os jovens. A intervenção social desenhada numa área periférica, de risco, tal como as vidas a quem se destina, tem uma forte probabilidade de adesão por parte dos seus públicos-alvo, assim como a potencialidade de estes futuros profissionais conseguirem vingar.

Essa projecção para o mercado de trabalho, alimenta outra particularidade do projecto, a sua estruturação. O envolvimento das três vertentes: acção social, formação e cultura, num círculo virtuoso contribuem para a continuidade e sustentabilidade do projecto. "O departamento [de Produção] insere-se no modelo de Economia Social praticado pelo Chapitô cruzando as áreas de Formação, Cultura e Acção Social: as receitas geradas revertem directamente para o financiamento de acções realizadas na Área Social e funciona como plataforma para os jovens diplomados pela Escola Profissional de Artes e Ofícios do Espectáculo, assegurando a sua inserção no mercado de trabalho." Outra entrada de receitas são o restaurante e bar. "Com uma vista deslumbrante sobre o Tejo e a cidade de Lisboa, Restô, é a oportunidade de viajar, levado pelos aromas e os sabores de uma cozinha multi-étnica. Como pólo cultural da cidade de Lisboa, o Bar do Chapitô é um espaço aberto às artes, com uma programação variada ao longo da semana: desde música ao vivo, com destaque para o jazz, ciclos de cinema, projecções de vídeo, espectáculos de teatro e dança, a conferências e debates sobre temas da actualidade. O Bartô, é também um espaço privilegiado para tertúlias, lançamentos de livros e projectos editoriais, exposições e instalações."

Estando a formação ao abrigo do Ministério da Educação, enquanto Escola Profissional desde 1991, a maior lacuna ao nível dos financiamentos verifica-se nos muitos jovens institucionalizados em Centros Educativos, que se confrontam com grandes dificuldades quando, aos 17/18 anos, atingem a idade que os coloca legalmente fora do âmbito destas instituições. Nestas circunstâncias, não são poucos os que batem à porta do Chapitô. Para esta vertente da acção social o Chapitô foi um dos beneficiários do leilão resultante da Cow Parade, em 2006. Conseguiu-se recuperar e remodelar instalações que hoje servem de residência temporária a 10 destes jovens em transição. "Promover a autonomia do jovem, estimulá-lo para a construção do seu projecto de vida e ajudá-lo concretamente na superação dos obstáculos com que se depara, são os objectivos deste projecto."

Esta necessidade foi consequência da intervenção realizada pela Animação em Acção: um grupo de animadores/formadores e técnicos que assegura, nos Centros Educativos da Bela Vista e Navarro de Paiva ateliers de circo, capoeira, “faz-tudo”, jogos, etc. bem como a animação de festas e espectáculos e ainda a realização de saídas – culturais e recreativas incluindo a redacção de um jornal, num protocolo que se desenvolve desde 1987 com o Ministério da Justiça.

Também as crianças são um dos destinatários. O Centro de acolhimento infantil garante a guarda de menores até aos 12 anos durante o dia, serviço que é complementado com os ateliers infantis de circo e capoeira que decorrem ao fim da tarde para os maiores de seis. Os adultos têm a partir das 19 horas cursos variados como capoeira, malabarismo, sapateado, caracterização, expressão dramática e técnicas circenses.

As parcerias estratégicas são uma constante. 60% do orçamento anual da organização provém de financiamentos públicos, 35% de receitas próprias e 5% de mecenato e donativos. Ao Expresso, de 4 de Novembro 2006, Teresa Ricou dizia: «As instituições estão ancoradas em nós. Como prestamos serviço público, a Justiça, a Educação, a Cultura, a Segurança Social, o Instituto da Juventude e o Instituto de Emprego e Formação Profissional têm de estar aqui.» No entanto, em relação ao Chapitô Rio, o projecto cuja inauguração se prevê para o fim do ano, não adianta informações. 200 milhões de euros para um espaço adaptado a outras artes, de âmbito musical, como o rock, sustentado na mesma fórmula tripla (acção social, formação, cultura) podem justificar a presença da Super Bock no rol dos apoios presentes no site da organização (aliás, a única empresa a figurar, apesar de outras como a PT e a Vodafone fazerem alusão a parcerias com o Chapitô nos seus sites). http://www.chapito.org/

quarta-feira, janeiro 31, 2007

Al Gore em Portugal

O autor da publicação, An Inconvenient Truth virá a Portugal no próximo dia 8 de Fevereiro, a convite da Cunha Vaz e Associados e com o apoio da CGD, EDP, CML e Lexus falar sobre alterações climáticas. A conferência decorrerá no Museu da Electricidade mas ao que parece deverá ter acesso (muito) restrito já que não se comunica esse aspecto do evento nos sites dos envolvidos, nem junto dos media.

Al Gore, cujo cachet se eleva aos 175.000€, exigiu ser transportado num carro híbrido e poderá ainda ser ouvido e interpelado no nosso país um mês depois, a 7 de Março no 3º Forum Comércio Moderno, no Centro de Congressos do Estoril onde decorrem 2 dias de Debate sobre Ambiente Consumo e Marcas, promovido pela APED (Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição). Apressem-se os interessados porque as inscrições para os dois dias (7 e 8) ficam por 900€ para não sócios até ao Dia dos Namorados, passando depois a 1200€.

II Prémio Cidadania (ainda) recebe inscrições

Estão abertas até ao dia 16 de Fevereiro de 2007 inscrições para o Prémio Cidadania das Empresas e das Organizações, uma iniciativa da Price e AESE com a parceria da EXAME.
A primeira edição premiou em Maio de 2006 o Banco Alimentar Contra a Fome como melhor ONG e a EDP como melhor empresa/ melhor ambiente. O BCP recebeu o galardão de desempenho social e a PT o prémio de vertente económica.
"Entenda-se por cidadania empresarial e organizacional, o exercício de um vasto conjunto de direitos e deveres que visam possibilitar aos vários stakeholders o seu pleno desenvolvimento através do alcance de uma igual dignidade social e económica, respeitando o ambiente. O prémio pretende reconhecer as empresas e ONGs mais bem sucedidas na aplicação das suas políticas de responsabilidade social, nas componentes: económica, social e ambiental, simultaneamente. Premiar as ONG’s, mais do que reconhecer o seu empenho na aplicação de medidas efectivas, pretende ajudar na melhoria de implementação das mesmas. A atribuição do prémio é feita através da avaliação de um questionário, desenvolvido com o apoio metodológico da SAM , a preencher pelas empresas e pelas ONG's." in http://www.premiocidadania.com/?q=C/-/9

sexta-feira, janeiro 26, 2007

RSE ou RSO?

Sobre a discussão existencial à volta do conceito, capaz de dividir as hordas transversalmente desde o popular até ao académico, discussão que debate se se deve falar de Responsabilidade Social das Empresas ou de Responsabilidade Social das Organizações, venho deixar o meu modesto contributo.
Oh meus amigos: não soa sempre estranho dizer «subir para cima», «tenho um amigo meu» ou «ambos os dois»? Da mesma maneira, porque não falar da Responsabilidade Económica das Empresas? Porque é uma redundância? Um pleonasmo? Uma expressão vazia?

Será por isso que se fala da Responsabilidade Social das Empresas? Por ser uma dimensão menos implícita dentro do sector e mais negligenciada do que outras, como a económica? Por ser uma dimensão a destacar e a incrementar?
Se assim for, que sentido faz falar na Responsabilidade Social das Organizações? De que Organizações? Normalmente nesta expressão englobam-se os três sectores (Estado, Mercado e Terceiro Sector), mas muitas vezes o termo «Organizações» é usado como sinónimo de «entidades/organizações sem fins lucrativos» e de carácter solidário.
Pensando que a expressão «Responsabilidade Social das Empresas» (que implica o triple bottom line, ou seja o equilíbrio das dimensões económica, ambiental e social) é alargada para abarcar não só as empresas, mas os três sectores da sociedade acima mencionados, ficamos com uma expressão que de tão abrangente, acaba por não dizer nada (ou como dizia alguém, «e tudo, e tudo e tudo»- muito expressivo)!
Ou seja, será que o que está implícito na expressão RSO é que todos temos de fazer tudo por um mundo melhor? Para além de vago e megalómano, parece-me pouco operacional. Mais, soa-me a algo dogmático e doutrinizador. De tão etéro, o conceito acabará por remeter para a legislação e perverter o âmbito voluntário do movimento da Responsabilidade Social das Empresas.
Por outro lado, compreendo na expressão RSO a crítica ímplicita à conduta do Estado e do Sector Solidário nos aspectos financeiro e de gestão de recursos humanos. Mas se são esses aspectos que se pretendem designar, ou se procura na riqueza da língua portuguesa outra expressão que, por exemplo, passe pelo adjectivo «sustentável», muito mais amplo, integrador e menos antropocêntrico do que o «social» (que semânticamente não abarca a dimensão ambiental) ou se distinguem as definições das duas expressões, que apesar de idênticas, não têem explicações «clonáveis».

sábado, dezembro 23, 2006

“Mãe, faz-me uma escola!” – O trabalho de Hércules da Raríssimas


Às vezes é preciso ter cuidado com o que se pede a certas pessoas. Foi o caso do pedido que Paula Costa recebeu do seu filho Marco. É que há pedidos que não se recusam, ainda que seja preciso volver céus e terra.

Ao Marco foi-lhe detectado o Síndrome Cornelia de Lange. Uma doença rara que, como muitas outras lida com um desconhecimento generalizado e um diagnóstico dificil. Marco apresentava um défice cognitivo e de aprendizagem e várias anomalias a nível interno.

Aos pais de crianças especiais é-lhes imposta uma capacidade sobrehumana de lidar com a especificidade dos seus filhos. Logo à partida com o confronto com uma sociedade cada vez mais normalizadora. Depois com toda uma desadequação de serviços, desde educativos, a de saúde, passando pelos enquadramentos legais às problemáticas apresentadas. Quando essas problemáticas são, ainda por cima, desconhecidas, o esforço para superar os obstáculos é tanto maior. A dúvida se os profissionais sabem o que é melhor para eles, se está nas melhores mãos, ou pelo menos nas mãos de quem sabe do que se trata. Foi nesta vertente que a Raríssimas se constituiu inicialmente, uma plataforma de articulação com médicos especialistas em doenças raras, a quem os pais podiam recorrer, à semelhança do que existe noutros países.

Daí até ao projecto da Casa dos Marcos foi um passo. Para uma mãe destas, o empreendimento de construir uma «escola» para os portadores de doenças mentais e raras, que rapidamente se converteu num projecto pioneiro a nível mundial e com investimento inicial de 3,5 milhões de euros, é tarefa passível de ser concretizada. Porque não?

Porque não, se se consegue ultrapassar diariamente condicionantes profissionais face à necessidade de providenciar acompanhamento ao médico, às terapias, se se consegue gerir um orçamento familiar com estas vicissitudes e substituir a assistência que as instituições mais vocacionadas não prestam? Porque não, se são forçados a ser super-homens e super-mulheres constantemente?

A Casa dos Marcos está prestes a ver lançada a sua primeira pedra, um projecto que combina um Centro de Actividades Ocupacionais com fisioterapia, residência para cerca de 25 utentes e lugar de internato para outros 20. E se no fim de 2005 pensar em angariar 600 mil euros era uma tarefa gigantesca, no fim de 2006 a quantia aumentou quase seis vezes. Mas a solução é fácil: se Portugal tem 10 milhões de habitantes e cada habitante der um euro, angariam-se 10 milhões de euros que são suficientes para a construção e manutenção da estrutura durante três anos. Simples! E o dia para a materialização do sonho está marcado: 16 de Fevereiro, dia em que o Marco faria 19 anos.

Paula Costa, Presidente da Raríssimas é a mãe coragem que enverga esta missão. E se, quando o filho lhe fez o pedido não pôde senão encará-lo de frente, um ano após o seu desaparecimento a forma que encontrou de continuar com a sua energia, dinamismo, capacidade empreendedora e alegria de viver foi a lutar para concretizar o seu desejo, que é o desejo de milhares de outras crianças e jovens que lidam com as lacunas de um mundo que não foi feito para eles.

quinta-feira, novembro 16, 2006

Feira de Solidariedade na FIL

De 2 a 10 de Dezembro decorre a Natalis - Feira de Natal e da Solidariedade de Lisboa. O preço da entrada é de apenas 1 EURO, e todo o dinheiro dessas entradas vai para beneficiência, ou seja, a receita de bilheteira reverterá, na íntegra, a favor das Organizações de Solidariedade Social presentes na Natalis.
Desde a gastronomia típica da época, até aos presentes mais excepcionais, passando pela decoração, poderá fazer excelentes compras, num só espaço. www.natalis.fil.pt/.

Forum RSO, uma espécie em vias de extinção?

O.K., tenho evitado comentários mais negativos por estas bandas mas tenho a dizer que, sem ter estado no primeiro, o II Forum RSO me pareceu, face ao que vi neste e ao que pude aceder no anterior, muito aquém da primeira iniciativa.

Foram preços elevadíssimos para participantes, para condições pouco comuns (auditório em aberto, péssima iluminação), em que se explorou demasiado o formato de painel atribuído à responsabilidade dos actores (que são os mesmos que têm feito este tipo de eventos ao longo do ano de forma gratuita).
Resultado: não se disse nada de muito novo (para quem já tem visto dois ou três encontros destes), não teve a amplitude do primeiro, não justificou o montante dispendido (até porque me pareceu que havia quem entrasse para a exposição e acabasse por assistir ao Forum sem ter pago). Valeu pela exposição sobre sustentabilidade e porque vale sempre a pena assistir, mas não correspondeu às expectativas e não compensou, definitivamente, o custo da entrada.

Angariação de Fundos como Departamento

(Continuação do post anterior...)

Mas como se não bastasse, viro a esquina e... pasme-se: esbarro com uma ONG com Departamento de Angariação de Fundos!!! Em pleno Portugal?!?
OK, a Amnistia Internacional, como o próprio nome indica, tem influências fortes de realidades externas... Mas assim onde é que vamos parar?
Agora a sério, é uma lufada de ar fresco aceder a estas informações e perceber a nossa capacidade de reagir, numa área/oportunidade cujo silêncio ensurdecedor «gritava» para que a explorassem.

quarta-feira, novembro 15, 2006

ENTRAJUDA

De súbito apercebemos-nos de que as coisas estão mesmo a mudar. Para além da nossa existência e da capacidade que temos de interferir na realidade.
Elas já eram um bom punhado de instituições que insistiam em me entrar pelos olhos dentro quanto à sua postura inovadora de captação de recursos (Raríssimas, Fundação do Gil, ACAPO, etc). Então, no espaço de uma semana, apercebo-me de novas entradas (pelo menos para mim) totalmente inovadoras.

A Entrajuda é uma experiência que surgiu em 2004!!(Espanto!!) E é tudo o que gostávamos de ver aparecer e não tínhamos coragem de pensar. Uma plataforma de articulação entre empresas e terceiro sector. Fantástico.

Não, não é mais uma consultora. É «apenas» uma plataforma de recepção de pedidos de instituições necessitadas e ofertas de empresas doadoras. Tudo numa base de voluntariado. E tem um plano de formação invejável, administrada gratuitamente aos beneficiários pelas empresas/ consultoras aderentes. Ao se inscrever, a organização beneficiária recebe um tutor, que fará o diagnóstico de necessidades e posteriormente a articulação com as empresas que as poderão prover. A ideia é excelente, esperemos que a prática também.

quinta-feira, outubro 12, 2006

mecenatonet - o ovo de colombo

O Mecenatonet é um projecto de gestão, divulgação e angariação de donativos que irá funcionar através de uma plataforma inovadora e privilegiada: o site mecenato.sapo.pt. Este espaço actuará como intermediário entre Beneficiários e potenciais Mecenas, facilitando a comunicação, informação e interacção entre os mesmos. Através do site, pessoas singulares ou Instituições poderão atribuir donativos a projectos seleccionados de Entidades Beneficiárias, e acompanhar a evolução da actividade ou entidade para a qual efectuem esse donativo. Recebem, como garantia de segurança, um recibo referente ao donativo atribuído para obtenção dos respectivos benefícios fiscais.
Pretende-se também que cada utilizador, ao entrar no site, encontre todas as informações relevantes para o envolvimento eficaz e seguro na navegação, podendo os Mecenas inclusivamente realizar simulações com vista a apurar os benefícios fiscais decorrentes de qualquer donativo que pretendam efectuar, antes de concretizar as contribuições reais para áreas do seu interesse.