Como alenquerense, desde há algum tempo que ouço falar sobre
a produção de vinho kosher no concelho, mas foi numa viagem pelo sul de Itália
que descobri como surgiu este negócio que distingue Alenquer.
Um dos meus acompanhantes de viagem recorrentemente
mencionava um período da sua vida em que viajava de carro em Portugal
acompanhado de rabinos, a fazer certificação de comida kosher.
Para quem não
sabe, kosher é toda a comida produzida com os requisitos da comunidade judaica,
que passa por várias exigências como não poder ser, em nenhuma fase, manuseada
por pessoas não judaicas.
Este meu amigo tinha uma empresa de qualidade que
certificava tudo o que se produzia em Portugal segundo estes critérios, de modo
a que os judeus soubessem o que podiam comer no nosso país.
Detectando a
inexistência de produtores de vinho kosher no país, desafiou algumas quintas em
Alenquer para o efeito, desafio que acabou por ser aceite por volta de 2004, pela sociedade
agrícola Félix Rocha, na Quinta da Ribeira, em Meca.
A aposta neste factor distintivo valeu a estes produtores,
logo após um ano, encomendas de mais 45 mil garrafas de vinho, entre tinto,
branco e rosé.
Ultimamente o município encontra-se a colaborar activamente
com este produto, com a deslocação do presidente da Câmara – também na direcção
da Rede de Judiarias-, à feira de Turismo de Israel em 2016, para promover o
vinho kosher do concelho.
Para além de apoiar directamente a economia local, sendo
Portugal um pais de interesse turístico para a comunidade judaica, o concelho é
divulgado como destino deste nicho de turismo enólogo junto da embaixada
israelita.