segunda-feira, maio 01, 2006

RSE na UE- de boas intenções....

Uma recente posição da União Europeia acerca da Responsabilidade Social das Empresas veio criar uma Aliança para a RSE, em conjunto com empresários. “It recognizes the primacy of business as the primary actors in corporate social responsibility, while acknowledging the supportive role public authorities can play in facilitating an open and constructive dialogue between business, employers, trade unions and civil society organisations.” (Ethical Corporation, Abril 2006, From the European Commission- Corporate social responsibility: the european perspective, p.14).
Esta posição foi criticada pelo representante de uma das ONG que desenvolveram um longo processo de debate em relação à intervenção dos stakeholders na responsabilidade social das empresas. O "European Multi-stakeholder Forum on Corporate Social Responsibility", visava alcançar um entendimento comum entre stakeholders e preparar o terreno para uma rede de trabalho europeia para a responsabilidade social das empresas. Tendo decorrido durante dois anos, terminou em 2004. As ONG investiram tempo e recursos neste projecto na crença da necessidade urgente de aumentar os impactos positivos e reduzir os negativos na sociedade e no ambiente, reconhecendo a importância do papel da UE neste processo. Após 1 ano e meio de silêncio “the EU has made a giant leap back in time. The experience over the past decade shows that involvement of relevant stakeholders from the early stage of strategy development is essential for the effectiveness and credibility of corporate social responsibility. The EU has obviously rejected this experience when drafting the alliance with business representatives.” (Oldenziel, Joris in Ethical Corporation, Abril 2006, From SOMO- Centre for Research on Multinational Corporations, European Commission abandons multi-stakeholder approach in CSR, p.15).
Na base desta tomada de posição pode ter estado a defesa de medidas reguladoras por parte das ONG para "complementar as muitas iniciativas voluntárias que só funcionam para os bem intencionados" (idem). Como há males que vêem por bem, na sequência desta tomada de posição por parte da UE as ONG encontram-se a criar uma estrutura europeia das ONG para a responsabilidade social, algo que era importante existir enquanto lobby do sector até a níveis mais micro (nacionais).

Captadores de Recursos como Saída Profissional nas ONGs do Brasil

Descrição: Greenpeace Brasil é uma organização ambientalista, pacifista, independente que faz campanhas para expôr problemas e propôr soluções essenciais a um futuro pacífico e sustentável.
ASSESSOR DE CAPTAÇÃO DE RECURSOS: Identificar oportunidades de doações de grande e médio porte, criando relacionamento com potenciais doadores, sendo eles pessoas físicas ou fundações. Além disso, também é da responsabilidade do Assistente de Captação de Recursos o relacionamento com VIPs e celebridades garantindo seu constante vínculo com o Greenpeace.
Principais Atividades: - Em conjunto com a Diretora de Marketing e Fundos, estabelecer metas e a estratégia de captação de recursos através deste canal- Pesquisa, prospecção e elaboração de base de dados de potenciais médios e grandes doadores;- Manutenção do relacionamento com novos e actuais doadores, fornecendo informações e garantindo seu comprometimento com o Greenpeace;- Elaboração em conjunto com agência especializada materiais de abordagem e relacionamento para o programa de doadores de médio porte;- Identificação de potenciais fundações e criar uma base de dados;- Elaboração projetos para captação de recursos junto a fundações em acordo com os objetivos e estratégias das campanhas da organização;- Apresentação de resultados obtidos com os projetos para os doadores, a fim de manter a credibilidade dos recursos investidos;- Manutenção do relacionamento com novas e actuais celebridades, fornecendo informações e garantindo seu comprometimento com o Greenpeace;- Estabelecimento, junto com a Directoria, de uma estratégia de conversão desses apoiadores em médio e grandes doadores. Pré Requisitos: Formação Superior Completa - Universitário Completo em Marketing, Jornalismo; Experiência anterior em elaboração de projetos; Excelente redação em português e inglês; Domínio de informática.
Os interessados na vaga, que atendam todos os pré requisitos, devem enviar seu cv para o email Suzana.Kubric@br.greenpeace.org com o titulo do cargo no assunto.
GERENTE DE MOBILIZAÇÃO SOCIAL E DESENVOLVIMENTO DE RECURSOS PARA TRABALHAR EM SÃO PAULO
Descricão: A Associação Habitat para a Humanidade Brasil, com sede em Recife (PE), selecciona dois profissionais acima especificados, para atuar no seu escritório em São Paulo. O Gerente da Área de Mobilização Social e Desenvolvimento de Recursos será responsável pela formação, liderança e capacitação de equipe, estabelecimento de planos e cumprimento de metas de captação de fundos da organização em âmbito nacional e internacional junto a indivíduos, empresas, fundações, agências multilaterais e bilaterais, organizações governamentais e não-governamentais. Para o cargo é necessário ter formação superior completa nas Áreas de Ciências Sociais e Humanas, preferencialmente em Comunicação, Publicidade, Marketing ou Relações Internacionais, com especialização em Terceiro Sector, Responsabilidade Social ou áreas afins.
É importante que o candidato saiba elaborar projetos sociais e negociar propostas com doadores, bem como elaborar planos estratégicos de Desenvolvimento de Recursos e ter experiência superior a cinco anos na área, com êxitos comprovados com o seguimento corporativo e que conheça a sistemática da gestão de fundos e subsídios públicos. Fluência em Português, Inglês e Espanhol e o domínio dos programas Excel e Word e saber usar a internet também são requeridos. Outros diferenciais são dinamismo, flexibilidade, boa capacidade de comunicação, articulação, habilidade para trabalhar em equipe e afinidade com as metodologias de trabalho e o perfil das organizações e dos movimentos sociais.
É necessário ainda que o candidato tenha disponibilidade para viagens nacionais e internacionais. Organização: Habitat Para a Humanidade Brasil Carga_Horaria: 40 horas semanais Remuneração: R$ 5.000,00 Contato: Antonio José da Silva E-mail: ADaSilva@habitat.org

“A Sustentabilidade não é Sexy”

No dia 4 de Abril, a Fundação Luso Americana para o Desenvolvimento e a revista Im))pactus organizaram a II Conferência Anual da Im))pactus sob o tema «Comunicar a Gestão através dos Relatórios e Contas e de Sustentabilidade». No debate sobre “Como lêem os jornalistas a sustentabilidade na informação financeira da empresa?”, no meio de considerações sobre a credibilidade dos relatórios de sustentabilidade, se correspondem à realidade da empresa e se são ou não usados para «branquear» a imagem das empresas, quando toda a tónica estava na honestidade deste actor, houve uma jornalista que, com graça e alguma audácia, usou uma expressão que deve fazer escola: “a sustentabilidade não é sexy”.
Para os periódicos, o que é sexy são buracos orçamentais, falências, poluições ambientais em grande escala... “A sustentabilidade não conquista o interesse por parte dos media, porque os media estão convencidos que isso não conquista as audiências”. Então e os media não têm de ter responsabilidade social?! Não têm de apresentar também o que de bom se faz, assim como o que de mau se faz? E mais: não são eles também empresas? E os seus relatórios de sustentabilidade? Que boas práticas têm em relação ao ambiente, aos funcionários e à sociedade?
Sem nunca ter sido, juro-vos, defensora das empresas, dei por mim a pensar porque é que toda a tónica estava daquele lado. Porque é que as empresas têm tudo a provar e os outros nada? Porque as empresas dependem da aceitação do mercado e para os jornais, a aceitação faz-se através da nivelação por baixo? Mesmo na imprensa económica (a que estava presente)? Então (e correndo o risco de parecer ingénua) por mais que se façam as coisas bem feitas só vamos ouvir falar do que está mal? Enegrece-se a realidade porque isso é o que vende?
Nada disto é novo para nós, mas quando se fala na responsabilidade social dos outros e se está na posição de julgar, há que ver os nossos telhados de vidro... Talvez fosse uma boa acção de responsabilidade social haver quem se ocupe de mudar o jornalismo tal como se faz. E isso passa também por educar o consumidor final no sentido de optar por um consumo responsável- é ele o principal agente de mudança para uma sociedade mais sustentável- a todos os níveis.