segunda-feira, maio 01, 2006

“A Sustentabilidade não é Sexy”

No dia 4 de Abril, a Fundação Luso Americana para o Desenvolvimento e a revista Im))pactus organizaram a II Conferência Anual da Im))pactus sob o tema «Comunicar a Gestão através dos Relatórios e Contas e de Sustentabilidade». No debate sobre “Como lêem os jornalistas a sustentabilidade na informação financeira da empresa?”, no meio de considerações sobre a credibilidade dos relatórios de sustentabilidade, se correspondem à realidade da empresa e se são ou não usados para «branquear» a imagem das empresas, quando toda a tónica estava na honestidade deste actor, houve uma jornalista que, com graça e alguma audácia, usou uma expressão que deve fazer escola: “a sustentabilidade não é sexy”.
Para os periódicos, o que é sexy são buracos orçamentais, falências, poluições ambientais em grande escala... “A sustentabilidade não conquista o interesse por parte dos media, porque os media estão convencidos que isso não conquista as audiências”. Então e os media não têm de ter responsabilidade social?! Não têm de apresentar também o que de bom se faz, assim como o que de mau se faz? E mais: não são eles também empresas? E os seus relatórios de sustentabilidade? Que boas práticas têm em relação ao ambiente, aos funcionários e à sociedade?
Sem nunca ter sido, juro-vos, defensora das empresas, dei por mim a pensar porque é que toda a tónica estava daquele lado. Porque é que as empresas têm tudo a provar e os outros nada? Porque as empresas dependem da aceitação do mercado e para os jornais, a aceitação faz-se através da nivelação por baixo? Mesmo na imprensa económica (a que estava presente)? Então (e correndo o risco de parecer ingénua) por mais que se façam as coisas bem feitas só vamos ouvir falar do que está mal? Enegrece-se a realidade porque isso é o que vende?
Nada disto é novo para nós, mas quando se fala na responsabilidade social dos outros e se está na posição de julgar, há que ver os nossos telhados de vidro... Talvez fosse uma boa acção de responsabilidade social haver quem se ocupe de mudar o jornalismo tal como se faz. E isso passa também por educar o consumidor final no sentido de optar por um consumo responsável- é ele o principal agente de mudança para uma sociedade mais sustentável- a todos os níveis.

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