sexta-feira, janeiro 26, 2007

RSE ou RSO?

Sobre a discussão existencial à volta do conceito, capaz de dividir as hordas transversalmente desde o popular até ao académico, discussão que debate se se deve falar de Responsabilidade Social das Empresas ou de Responsabilidade Social das Organizações, venho deixar o meu modesto contributo.
Oh meus amigos: não soa sempre estranho dizer «subir para cima», «tenho um amigo meu» ou «ambos os dois»? Da mesma maneira, porque não falar da Responsabilidade Económica das Empresas? Porque é uma redundância? Um pleonasmo? Uma expressão vazia?

Será por isso que se fala da Responsabilidade Social das Empresas? Por ser uma dimensão menos implícita dentro do sector e mais negligenciada do que outras, como a económica? Por ser uma dimensão a destacar e a incrementar?
Se assim for, que sentido faz falar na Responsabilidade Social das Organizações? De que Organizações? Normalmente nesta expressão englobam-se os três sectores (Estado, Mercado e Terceiro Sector), mas muitas vezes o termo «Organizações» é usado como sinónimo de «entidades/organizações sem fins lucrativos» e de carácter solidário.
Pensando que a expressão «Responsabilidade Social das Empresas» (que implica o triple bottom line, ou seja o equilíbrio das dimensões económica, ambiental e social) é alargada para abarcar não só as empresas, mas os três sectores da sociedade acima mencionados, ficamos com uma expressão que de tão abrangente, acaba por não dizer nada (ou como dizia alguém, «e tudo, e tudo e tudo»- muito expressivo)!
Ou seja, será que o que está implícito na expressão RSO é que todos temos de fazer tudo por um mundo melhor? Para além de vago e megalómano, parece-me pouco operacional. Mais, soa-me a algo dogmático e doutrinizador. De tão etéro, o conceito acabará por remeter para a legislação e perverter o âmbito voluntário do movimento da Responsabilidade Social das Empresas.
Por outro lado, compreendo na expressão RSO a crítica ímplicita à conduta do Estado e do Sector Solidário nos aspectos financeiro e de gestão de recursos humanos. Mas se são esses aspectos que se pretendem designar, ou se procura na riqueza da língua portuguesa outra expressão que, por exemplo, passe pelo adjectivo «sustentável», muito mais amplo, integrador e menos antropocêntrico do que o «social» (que semânticamente não abarca a dimensão ambiental) ou se distinguem as definições das duas expressões, que apesar de idênticas, não têem explicações «clonáveis».

2 comentários:

Anónimo disse...

Excelente post!

Susana Vital Rosa disse...

Obrigada, Filipe. Com tanta divisão na discussão do conceito é sempre arriscado tomar posição mas vindo de quem vem, sinto-me mais legitimada!